quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Relógio Parado




O tempo preso
horas inertes
ponteiros mortos
momento congelado

Sem som, movimento
estático, levitando jaz
e a lembrança guardada
levemente se desfaz

A hora marcada
sempre tão igual
o instante guardado
perdido numa hora atemporal

Infinitamente perdido
opaco, fulgáz, detido -

Um hora, doze horas
o dia passa...
...a noite vem
sempre como antes (diferente, porém)

Por um breve minuto
(o relógio, certo fica)
passa-se esse tempo
e parado, ele agita.

uM pOema oBsceno




Vou te esconder em
baixo dos lençóis

O corpo forte,
domado, dominado.
Carne, pele, suor-prazer

suspiros, pequenas mortes,
extase sublime, supremo.

Olhares, olho, vendo
alimentando os olhos

Dando de comer,
saboreando o calor

Sussuros, gritos, silêncio.
Força contida, força pura,
fracamente se rendendo.

Os ponteiros, vão e vem
loucamente, repetindo a hora.

Saboreando a pele
devorando o corpo.
,
Canibalismo, carnal, carnívoros
mamíferos, humanos

E o corpo, inerte
pulsa de explendor.

O casamento de Minas Gerais



Minas Gerais é uma linda moça!
De linda beleza sem igual

São Paulo, rapaz rico;
Com Minas Gerais quer namorar.

Minas Gerais não sabe,
mas ainda tem mais coisas...

Um tal de Rio de Janeiro
também está de olho nela.

Mas Minas Gerais,
sorrindo responde aos olhares

São Paulo promete à ela:
riqueza, progresso, força.

Rio de Janeiro, romântico
lhe oferece praias, sol, alegria.

Mas, Minas Gerais, sempre sorrindo
responde aos pretendentes:
Mas riqueza, progresso,força
tudo tenho, obrigada.
Sol, alegria também,
meu mar é de montanhas...

Foi então que Minas Gerais
viu o Espírito Santo.

A fuga de sentimento



O Amor fugiu.
(tinha-o guardado)
mas ele fugiu, sumiu
não sei muito bem.

Ele estava aqui
a pouco tempo...

...enfim,
ele fugiu
(mas sei que ele volta,
ele sempre volta,
eu sei que é assim).