quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ela ou você

Coroada de estações
vestida de flores e luz,
eis que surge poderosa
a rainha do encanto

Olhar - que fascina
sorriso que ilumina

Deixe-me beijar seus lábios
me embriagar no teu perfume.

Reluzindo beleza
emanando alegria
surge na aurora
remetendo fantasia

Oh! Deusa das tardes azuis
respalndece e enobresse
os corações, almas e olhares.

Venha, faça reino em meus braços
em minha vida, no meu olhar
deixe-me apenas ver e viver-te
e deixar-te apenas passar.
O sol vem brincar em seus lábios...
esquecendo e esquentando a vida...
a ardente sensação de que tudo é belo

[com flores aos pés
o mundo á frente,
as mãos vazias e insanas
procuram por coisas inexistentes]
Em quentes noites
meu corpo derrete
se desintegra, dessipa
deixa a unidade
e se transforma

Seu olhar diz além
do sentido das palavras

e numa profunda
felicidade desperta
trazendo á luz
o que não há

O que quero é mais
busco seu suave sorriso

(Encanto sublime)

Nessas manhãs de sono
desperto do puro sonho
e me deparo com
a realidade que insiste/existe.

Sem fronteiras

Nem tudo se mede
(ou termina ou se limita)

Os limites físicos
sempre se trancedem ao sonho.

Realidade, abstração, surreal
doce momento marcado.

Tempo, distância, barreiras
são apenas detalhes

O tempo não se vê
a distância não se sente
as barreiras não impedem

Fronteiras são limites imaginários
(tudo é a mesma coisa)

Sendo assim, eu cá, você lá
(estamos na verdade, no mesmo lugar)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Relógio Parado




O tempo preso
horas inertes
ponteiros mortos
momento congelado

Sem som, movimento
estático, levitando jaz
e a lembrança guardada
levemente se desfaz

A hora marcada
sempre tão igual
o instante guardado
perdido numa hora atemporal

Infinitamente perdido
opaco, fulgáz, detido -

Um hora, doze horas
o dia passa...
...a noite vem
sempre como antes (diferente, porém)

Por um breve minuto
(o relógio, certo fica)
passa-se esse tempo
e parado, ele agita.

uM pOema oBsceno




Vou te esconder em
baixo dos lençóis

O corpo forte,
domado, dominado.
Carne, pele, suor-prazer

suspiros, pequenas mortes,
extase sublime, supremo.

Olhares, olho, vendo
alimentando os olhos

Dando de comer,
saboreando o calor

Sussuros, gritos, silêncio.
Força contida, força pura,
fracamente se rendendo.

Os ponteiros, vão e vem
loucamente, repetindo a hora.

Saboreando a pele
devorando o corpo.
,
Canibalismo, carnal, carnívoros
mamíferos, humanos

E o corpo, inerte
pulsa de explendor.

O casamento de Minas Gerais



Minas Gerais é uma linda moça!
De linda beleza sem igual

São Paulo, rapaz rico;
Com Minas Gerais quer namorar.

Minas Gerais não sabe,
mas ainda tem mais coisas...

Um tal de Rio de Janeiro
também está de olho nela.

Mas Minas Gerais,
sorrindo responde aos olhares

São Paulo promete à ela:
riqueza, progresso, força.

Rio de Janeiro, romântico
lhe oferece praias, sol, alegria.

Mas, Minas Gerais, sempre sorrindo
responde aos pretendentes:
Mas riqueza, progresso,força
tudo tenho, obrigada.
Sol, alegria também,
meu mar é de montanhas...

Foi então que Minas Gerais
viu o Espírito Santo.

A fuga de sentimento



O Amor fugiu.
(tinha-o guardado)
mas ele fugiu, sumiu
não sei muito bem.

Ele estava aqui
a pouco tempo...

...enfim,
ele fugiu
(mas sei que ele volta,
ele sempre volta,
eu sei que é assim).

domingo, 20 de junho de 2010

A moça do frio




E lá vem o frio...

...e o tempo, o clima, tudo começa a mudar.

Monte Sião se veste de azul, vermelho, verde, laranja, roxo - se tinge de arco-iris. Em uma dança de cores.

Se enfeita, se prepara, tal qual a moça formosa na janela, a espera de pretendente, cheia de flores.Arruma suas ruas como se arrumasse o cabelo, decora suas lojas como se enfeitasse a alma.

Se perfuma com sorrisos, se ajeita para fazer bonito - ah, e isso Monte Sião faz!
Tendenciosa, especialista em beleza e elegância. Pronta para para encantar e aquecer corações,corpos e bolsos.
Seu espelho reflete brilho, moda e trabalho.A cidade tece sonhos, cria calor, tinge de esperança e glamour esse lugar de Minas.

Está tudo pronto, tudo em ordem como devia ser.
Seu semblante alegre diante do vento que trás notícias, respostas e encanto.

Lá está Monte Sião, ansiosa pelo inverno, a sua estação mais quente.
E lá vem o frio...
...e que ele aqui(e em demais lugares)faça morada, até chegar seu tempo de retornar.
E Monte Sião mais uma vez estará preparada.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Canto Tenaz
















Rimbaud roubou a poesia
Oh! Poeta e ladrão
Colocando em sintonia
O que não tem explicação

Oh! Velhos muros aos pedaços
Ruindo e caindo ao chão
Há caos em todos os espaços
E simetria no vazio da multidão

Oh! Antigos céus azuis
De rubras tardes quentes
Brilha, mas nem sempre reluz
Experiências são tão conseqüentes

Fatos e atos banais
Formas e normas normais
Fotos e feitos nos jornais
Sempre querem sempre mais

Portas e janelas se fechando
Tempo fechado – sinal fechado
Os caminhos estão se encurtando
E tudo ficando parado

Oh! Soldados alados
Que já não podem voar
Contemplam o infinito calados
Presos no leve peso do ar

Oh! Flores vitais
Voltem logo a florir
Alegrar os quintais
Que não puderam existir

Aroma














Cada um segue seu rumo
E todos andam sem direção
Com uma vida em resumo
Como aves sem verão

Cada um em seu lugar
E todos sem lugar para ir
Poucos ainda vão lutar
E muitos vão cair

Cada um com seus planos
E todos sem saber o que fazer
O tempo passa, passa os anos
E nunca pararão de correr

Cada um em seu canto
E todos os cantos vazios
Muitos choram, choram tanto
Há tantos corações tão frios

Cada um de um jeito
E todos tão iguais
Muitos carregam a dor no peito
E todos buscam a paz

Cada um é cada um
E todo mundo é um só
Um apenas que é tudo
E tudo que é único


(Aroma _FERNANDOFERTIS)